terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Transgressões

Como se mastigasse o tempo devagar, sem desespero, mas de olho na vitrine, onde ao lado dos petit-four de amêndoa jaz em calda a minha ansiedade. 
O dia corre nem tão burocrático assim, mas finda actividade o retorno inevitável à cadeira, à espera de uma palavra que surja no horizonte electrónico e virtual que materialize na ausência o sorriso apaziguador, que faça desvanecer por umas horas o vazio com que me vejo a braços. Ruidoso e inquietante este silêncio transeunte, morosos todos os semáforos de razão que me multam na espera a cada transgressão de impaciência a que o teu corpo me obriga.