sábado, 10 de dezembro de 2016

O lugar de onde se olha

Ele pega-lhe na mão, denunciando o início de um novo capítulo.
Ele pega-lhe na mão traindo a lógica, pois, o gesto foi de candura, de inocência e a intenção foi de lascívia, de poder.
Esse acto antitético era como uma fotografia que era simultaneamente clara, focada, brilhante e baça e desfocada e turva.
Como se uma fronteira fixa fosse alternando o seu limite consoante o lugar de onde se olha.

"Temos tempo..." disse ela, e a boca dele secou...e ele sentiu uma acidez como se de um refluxo gástrico se tratasse, pois toda a promessa de futuro que a semântica encerra era atraiçoada pelo tom que, escamoteadamente, revelava o cheiro fúnebre e sombrio dos últimos minutos.